Governo do Distrito Federal
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28/06/20 às 9h32 - Atualizado em 28/06/20 às 9h32

Selo de Boas Práticas Agropecuárias aumenta faturamento de produtores

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Há 29 anos, a produtora Carmelita Brito Leite Horn, 56 anos, uma das proprietárias da Chácara Modelo, localizada na Colônia Agrícola Cana do Reino, núcleo rural de Taguatinga, trabalha com a produção de hortaliças. Foi a partir de 2017, porém, com o selo de Boas Práticas Agrícolas (BPA) na embalagem dos produtos, que viu aumentar a procura e, consequentemente, a produção das hortaliças na propriedade. Diante da exigência dos grandes mercados, a solução para alavancar as vendas foi apostar na adequação às recomendações de BPA, conquistar o selo e se tornar referência em qualidade.

 

O carro-chefe da produção na Chácara Modelo é a dupla alface e cheiro verde, com uma média de 25 mil a 30 mil unidades, mensais, cada. No entanto, em 17 hectares, também são cultivadas outras hortaliças, como brócolis, agrião, couve, quiabo, couve-flor e erva-doce.

 

A estimativa da produtora é de que o faturamento aumentou aproximadamente 30% com o selo. A certificação foi adquirida há quatro anos, em junho de 2016, mas foi em 2017, com orientação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF), que ela decidiu acrescentar a marca nas embalagens das hortaliças. De lá para cá, sentiu rapidamente o crescimento.

 

O que é o Selo BPA

A certificação é concedida por meio do programa Brasília Qualidade no Campo, executado pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural com a participação da Emater-DF, da Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa-DF) e da Secretaria de Saúde, por meio da Vigilância Sanitária. No programa, propriedades rurais que promovem as boas práticas agropecuárias são certificadas e passam a ter direito ao uso do Selo BPA.

 

Nesse processo, os extensionistas da Emater-DF fazem o trabalho de orientação para a adequação da propriedade. Pelo programa, são certificadas propriedades rurais de produtores de hortaliças, frutas, grãos, suínos e leite.

 

“Logo após o selo, a gente foi aumentando a produção e as exigências. Antigamente, a gente só lavava a hortaliça, colocava nas caixas e levava para os mercados. As caixas naquela época eram de madeira. Depois vieram as caixas de plástico, depois a exigência para higienizar e aí foi mudando tudo na forma de a gente trabalhar”, conta Carmelita.

 

No Distrito Federal, aproximadamente 28 propriedades possuem o selo e pouco mais de mil produtores estão em processo de certificação. Para o consumidor, o Selo BPA representa garantia de alimento saudável, produzido de forma sustentável para o meio ambiente, em propriedade que promove qualidade de vida e saúde para o trabalhador rural. Apesar das constantes mudanças e dos investimentos na propriedade para se adequar, a proprietária afirma que os progressos são constantes.

 

Como é o processo de certificação

Durante o processo, são avaliados 150 itens e a propriedade que apresentar conformidade mínima exigida de 70%, respeitando o cumprimento de todos os itens obrigatórios, é certificada. Questões como barreira sanitária, controle da entrada dos animais e de pessoas e itens relacionados à higiene e à organização da propriedade, em especial ao sistema produtivo, são avaliadas.

 

“Com o selo, as portas se abrem nas vendas para o mercado. Geralmente, quando a pessoa vai procurar uma hortaliça no mercado, ela procura se tem selo de qualidade. O selo traz muitos benefícios tanto para o consumidor quanto para a gente que é produtor rural. Para a gente, com o selo, as vendas aumentaram muito mais”, garante Carmelita.

 

Processo de produção dentro do BPA

Todos os produtos cultivados na Chácara Modelo, após serem colhidos, passam por um tanque de pré-lavagem e, em seguida, são selecionados e seguem para a área limpa, onde são feitas as etapas de higienização e embalagem. “Em propriedades que praticam as Boas Práticas Agropecuárias, a área de higienização das hortaliças deve ser acessada por trabalhadores utilizando uniforme limpo, composto por jaleco, calça, bota, avental ou touca/boné. Também deve-se proceder a higienização das mãos”, destaca Ana Paula Rosado, extensionista da Emater-DF.

 

Ela ressalta ainda que as caixas onde são colocadas as hortaliças devem ficar sobre outras caixas vazias. Nunca em contato direto com o chão. “Todo o fluxo é realizado para que as hortaliças sujas não entrem em contato com as hortaliças limpas. Após passar pela área limpa, ela já é despachada por outra porta para a parte do transporte que leva para comercialização”, aponta a extensionista.

 

Propriedades certificadas têm exclusividade de acesso ao edital do programa de Aquisição dos Alimentos da Agricultura (PAA), ao espaço de comercialização na pedra da Ceasa e, entre outras vantagens, exclusividade de acesso à financiamento pelo Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR).

 

* Fonte: Agência Brasília/ Foto: Tony Winston/Agência Brasília